coincidências; sincronicidades: tudo obra do inconsciente? 29.05.
Há alguns meses reencontrei por “acaso” um amigo com o qual havia perdido totalmente o contato. Ele estava surpreso com algumas coincidências incríveis que vinham acontecendo na vida dele desde que ele havia se disposto a fazer uma grande mudança, uma virada de mesa… Eu acabara de ler o livro A Profecia Celestina e indiquei, pois a história começa falando justamente sobre essas coincidências significativas, que Jung preferia chamar de sincronicidade. Esse tipo de evento sempre fez parte da minha vida; desde muito pequena tenho lembranças de acontecimentos assim. No entanto, as sincronicidades sempre me aconteceram em momentos importantes, quando eu me encontrava focada em algo e aí, por uma coincidência, me chegavam livros, fatos, pessoas, relacionadas ao meu assunto de interesse. Recentemente, outro grande amigo fez um post interessantíssimo em seu blog (http://blog.nodesign.com.br/2010/04/07/o-que-e-um-campo-morfico/#comments) sobre Campos Mórficos, que muito tem a ver com isso, mas tratado de uma maneira mais científica. E agora, atravessando uma fase bastante hard, daquele tipo da “descida ao inferno enfrentada por Psiquê” (veja no post abaixo) me surgiu um comentário muito interessante, onde uma pessoa que eu não conheço, em algum lugar do mundo, sonhou com o nome do meu blog, Salto Quântico e, ao acessá-lo pela manhã (antes mesmo de escovar os dentes, segundo ela) havia um post que lhe fez muito sentido… teria sido coincidência? Se foi uma sincronicidade, de onde isso vem? Quem organiza esses fatos? Quem faz esses links? Segundo o físico Fritjof Capra, vivemos imersos em uma grande teia de relações. Durante muito tempo vivi sob a ação de coincidências, sempre acreditando que “o universo” nos enviava sinais e que, quando estamos receptivos, conseguimos captá-los. No entanto, esta manhã li em Inner Work, a chave do reino interior, de Robert Johnson, algo que me trouxe uma nova luz sobre o assunto. Esse universo, tão distante, tão etéreo, pode ser, na verdade, nosso subconsciente agindo para nos tornar mais maduros… “Jung acreditava que Deus e toda a criação trabalham através dos tempos para trazer uma percepção consciente ao universo, e que é papel do homem levar essa evolução avante. (…) A incorporação da matéria do inconsciente deve continuar até que, por fim, a mente consciente reflita a totalidade do self. (…) Todos nós somos apanhados pelo movimento do conteúdo do inconsciente para o nível da mente consciente. (…) Temos de enfrentar os desafios e as mudanças dolorosas que o processo de conhecimento interior sempre traz. (Inner Work)”. Com isso, acabei mergulhando numa reflexão que anotei nas margens do meu livro… A maioria de nós não quer sofrer. E acredita que é possível evitar o sofrimento, pois esta mensagem nos é “vendida” desde muito cedo. Porém, o processo de tornar consciente o nosso self traz sofrimento e nos ensina sobre REALIDADE, que é diferente da felicidade eterna. Realidade tem a ver com viver no paradoxo. Nós inventamos muitas coisas para fugir do sofrimento; muitas coisas para retardar a consciência que, uma vez encontrada, não mais regride. Assim sendo, nada pode voltar a ser como era antes. Mas quando inistimos em nos ocupar pelo excesso de trabalho, por relacionamentos equivocados, por vícios, pelos problemas dos outros e até mesmo por diversão excessiva – o que nos dá a falsa sensação de felicidade eterna – o universo (ou o destino) acaba nos trazendo exatamente a experiência necessária para nos confrontarmos com a REALIDADE, ou seja, com o nosso INCONSCIENTE. Quando somos capazes de perceber as “coincidências” que invariavelmente cercam a vida de todos, e admitimos que o ACASO não existe, estamos dando um voto de confiança ao nosso inconsciente. Se pudermos, aos poucos, ouvir os recados que ele nos traz, talvez possamos chegar mais perto de ser quem realmente somos, independentemente da sociedade ou do meio onde fomos criados, por mais divergentes que estes sejam de nós. (A imagem que ilustra o post é do artista Alex Grey).

